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O Lixo Marinho

O Problema



Os resíduos sólidos, ou lixo, são definidos como qualquer material sólido manufaturado ou processado (tipicamente inerte), sendo subdivididos em categorias como plásticos, vidros, borrachas, metais, tecidos, isopor, matéria orgânica e madeira antropogênica. O lixo marinho é definido como qualquer resíduo sólido descartado, depositado ou abandonado nos ambientes marinho ou costeiro, por qualquer fonte (1,2).

Do ponto de vista científico, o problema do lixo marinho vem sendo tratado como um dos principais problemas relacionados à poluição marinha, juntamente com hidrocarbonetos de petróleo, metais traço, eutrofização, água de lastro, radionucleotídeos, entre outros (3).

As fontes do lixo marinho são usualmente descritas na literatura como fontes baseadas em terra, que incluem os freqüentadores das praias, os sistemas de drenagem de rios e esgotos e a própria geração de resíduos nas cidades costeiras, e fontes baseadas no mar, representadas por navios e barcos de pesca e pelas plataformas oceânicas.

A importância das fontes marinhas foi reconhecida com a promulgação do Anexo V da International Convention for Prevention of Pollution from Ships (MARPOL, 1973/78), que proíbe o descarte de resíduos plásticos no ambiente marinho e regulamenta o descarte de outros resíduos nos oceanos por qualquer tipo de embarcação. Porém, em uma escala global, há fortes evidências de que as principais fontes de lixo marinho são baseadas em terra.

Nas últimas décadas, conseqüências diretas da presença de lixo em ambientes marinhos e costeiros foram reportadas em todo mundo. Estas incluem danos relacionados á biota marinha e as mais diversas atividades humanas. De forma geral pode ser citadas como conseqüências diretas:

 

• Danos à biota marinha: os danos mais reportados pela literatura são o enredamento e a ingestão. Peixes, aves, tartarugas, mamíferos marinhos e invertebrados bentônicos estão entre os animais impactados;

• Introdução de espécies exóticas, através da dispersão de plásticos flutuantes;

• Prejuízos à navegação e às atividades pesqueiras;

• Degradação dos atributos estéticos e da beleza cênica do ambiente;

• Aumento de despesas municipais com limpezas periódicas;

• Dispersão de doenças através da proliferação de vetores (como ratos e insetos);

• Diminuição das receitas advindas do turismo.

Além destas, diversas conseqüências indiretas são reportadas e em geral são ainda pouco estudadas inclusive em países desenvolvidos.

  • Contaminação da água e da biota marinha através da liberação de contaminantes adsorvidos aos plásticos, causando impactos em nível populacional;

• Redução dos estoques pesqueiros;

• Contaminação de peixes e outros organismos que fazem parte da alimentação humana.

Referências citadas:
1 Marine Debris: sources, impacts and solutions. Coe, J. M. e Rogers, D. B. Nova York: Springer - Verlag, 2000.
2 Marine Litter, an analytical overview. UNEP,2005.
3 Poluição Marinha. Organizadores José Antonio Baptista Neto, Monica Wallner-Kersanach, Soraya Maia Patchneelam. Rio de Janeiro: Interciencia, 2008.
4 Resíduos Sólidos. Isaac R. Santos, José Antonio Baptista Neto, Monica Wallner-Kersanach. Em: Poluição Marinha. Organizadores José Antonio Baptista Neto, Monica Wallner-Kersanach, Soraya Maia Patchneelam. Rio de Janeiro: Interciencia, 2008.
5 Marine debris review for Latin America and the Wider Caribbean Region: from the 1970 until now and where do we go from here? Juliana A. Ivar do Sul e Monica F. Costa. Marine Pollution Bulletin 54, 1087-1104, 2007.
6 Skin irritation and histopathologic alterations in rats exposed to lightstick contents, UV radiation and seawater. Juliana A. Ivar do Sul, Obirajara Rodrigues, Isaac R. Santos, Gilberto Fillmann, Alexandre Matthiensen. Ecotoxicology and Environmental Safety, in press.
7 Plastics pellets in the aquatic environment. United States Environmental Protection Agency, 1992.




O Lixo Marinho no Brasil


No Brasil, estudos sistemáticos vem sendo desenvolvidos há pouco mais de uma década, e ainda são restritos a alguns setores do litoral. Estes estudos concentram-se principalmente nos estados do Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo e Bahia e representam o esforço de pesquisadores que desenvolvem linhas de pesquisas em diversos aspectos relacionados ao tema lixo marinho. Outros grupos também começam a desenvolver estudos pontuais em diversos estados (Santa Catarina, Paraná, Rio de janeiro, Sergipe, Maranhão) somando esforços em se conhecer mais sobre a problemática do lixo nos ambientes marinho costeiro.





Metodologias utilizadas



Existem diversos métodos utilizados no monitoramento de lixo marinho. Estes métodos variam principalmente com o objetivo do estudo a ser desenvolvido, área de estudo, tamanho dos itens amostrados e disponibilidade de equipamentos e recursos tecnológicos.

Pode-se classificar os métodos de amostragem em: amostragem do lixo flutuante, amostragem do lixo no fundo dos oceanos e amostragens na face das praias 1,4. A amostragem da superfície dos oceanos pode ser feita através de observadores em navios (válida para grandes resíduos) ou através de redes de meia-água ou de superfície. Resíduos depositados no fundo dos oceanos podem ser monitorados através de técnicas como mergulho autônomo, submergíveis (que possui altos custos) e redes de arrasto de fundo. Amostragens em praias arenosas usualmente utilizam transectos de comprimento conhecido, que podem ser distribuídos paralelamente (linha-de-deixa) ou perpendicularmente em relação à linha d’água.



Tem lixo diferente nas praias



Atratores Luminosos (Lightsticks):
Os atratores luminosos são artefatos quimioluminescentes que produzem luz quando duas soluções químicas orgânicas são misturadas. Estes atratores são extensivamente utilizados durante os procedimentos de pesca de espinhel, e junto com as iscas auxiliam na captura de peixes de grande valor comercial. O maior problema identificado a partir da presença de atratores luminosos nos ambientes costeiros é a utilização do seu conteúdo por populações tradicionais, que desconhecem a sua verdadeira finalidade. O uso tópico sistemático deste conteúdo pode gerar sérios problemas de saúde pública.

Esférulas plásticas
Dentre os resíduos plásticos, podem ser destacadas as esférulas de plástico virgem (plastic pellets), que são a matéria prima utilizada na indústria de plástico, a partir da qual são moldados os mais diversos objetos plásticos7. Podem assumir formas ovóides, esferulóides, cilíndricas ou achatadas, e possuem cerca de 2 - 5 mm de diâmetro, peso médio de 0,026 g, e densidade geralmente menor que 1 g cm-³, sendo predominantemente flutuantes. Ocorrem em várias cores, sendo mais comuns as brancas, transparentes e/ou translúcidas. Além destas, também são encontradas esférulas pretas, escuras e de diversas cores, como azul, verde, vermelho, entre outras. Podem ser constituídas de polietileno virgem, polipropileno e, mais raramente, de poliestireno ou cloreto de polivinil7. Suas fontes são derramamentos acidentais durante o manuseio e transporte em portos, áreas costeiras ou em oceano aberto, perdas industriais ou ainda durante o transporte terrestre.

 

 
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